sexta-feira, 12 de outubro de 2012

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Formação educacional exige esforço

Formação educacional exige esforço
Elias Januário
Para muitas pessoas a escola tem que ser um lugar o tempo todo atraente e com muita diversão. Não é bem assim a concepção de escola. A escola não tem que ser o tempo ""todo"" atraente e divertida, como muitas pessoas concebem essa instituição. Quem imagina isso é porque nunca deu aula ou não é especialista na área da Educação. A escola tem que ensinar, e para conseguir isso é preciso que haja dedicação e esforço da parte do estudante, caso contrário não chegará ao ponto desejado de aprendizagem e conhecimento. Portanto, a escola é um lugar que exige esforço. A educadora Tânia Zagury é uma das defensoras dessa opinião. Além disso defende veemente a profissão do Magistério, afirmando que se trata de uma das profissões que mais tiveram aumento de tarefas nos últimos anos.
O professor, nos dias atuais, além de ministrar os conteúdos, tem que lidar com situações que não está preparado, que não foi preparado, como por exemplo, com os Temas Transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. Como discutir questões de meio ambiente ou sexualidade, em uma disciplina como matemática ou língua portuguesa, elucida Tânia Zagury. Com que competência esse docente vai lidar com esse conteúdo, sendo que durante sua formação não teve nenhuma orientação ou estudo neste sentido. Essa situação acaba conduzindo o professor a uma situação de constrangimento diante da sala de aula, quando se sente incapacitado de discutir o tema que está proposto, ou tem que discuti-lo de forma aleatória.
Grande parte disso é resultado das tendências que vão surgindo de tempo em tempo no cenário educacional, criando modelos e linhas pedagógicas a serem seguidas, que muitas vezes são adotadas pelos sistemas de ensino sem preparar ou dar a formação teórica adequada ao seu quadro de professores Voltando a questão do esforço para aprender. Outro ponto intrigante, diz respeito ao mito de que o professor bom é aquele que motiva os alunos. Motivação é diferente de diversão. Motivação tem a ver com didática e não com mágica em sala de aula. Não é papel do professor fazer da aula um show, e nada adiante se o aluno não estiver interessando em aprender. O processo consiste em estabelecer comunicação com o público em questão, de acordo com a faixa etária e a série. Trazer coisas interessantes para o aluno e o aluno por sua vez se interessar pela aprendizagem. Procurar relacionar o conteúdo à realidade é um método eficaz, bem como trabalhar com uma relação entre teoria e prática. Mas não se pode esquecer, e a sociedade tem esquecido gradativamente, que a escolarização exige dedicação e esforço. O saber é uma conquista intelectual, portanto dedicação e esforço são méritos levados em consideração na formação educacional.
Gazeta de Cuiabá, 05/11/2010 - Cuiabá MT

A escola e a necessária autoridade

A escola e a necessária autoridade Marco Antônio Silva- Professor de história e doutorando em educação pela UFMG
Tenho ouvido relatos de professores de várias partes do país, sobretudo de escolas públicas, sobre as constantes agressões verbais e até físicas que vêm sofrendo. Isso não é sem razão. Quem não se lembra do estudante que agrediu a socos e pontapés a diretora de uma escola em Contagem? Quem não viu as cenas lamentáveis de uma aluna esbofeteando a professora no Vale do Aço? Há algumas semanas o Estado de Minas mostrou que professores, funcionários e vizinhos de algumas escolas de Belo Horizonte vivem acuados diante das ações de vandalismo promovidas por muitos estudantes. Essa situação é o resultado de uma combinação perversa: ausência de regras claras, crise de autoridade e impunidade. Em espaços democráticos é perfeitamente viável discutir, rediscutir, refazer e readaptar as normas. Entretanto, não é possível a convivência social sem regras estabelecidas. Em muitas escolas brasileiras, em nome de uma suposta inclusão social, a permissividade excessiva vem imperando. Prevalece o “tudo é permitido, nada é proibido”. Assim, crianças e adolescentes não encontram nenhuma referência de limites para as suas ações.
Além de regras claras, é preciso que existam autoridades respeitadas que consigam administrar os conflitos de interesse e garantir o bem-estar e a convivência fraterna de todos. Entretanto, muitos pais, gestores, pensadores da educação, membros de conselhos tutelares e até professores parecem não entender a diferença entre exercício da autoridade e a prática do autoritarismo. No período da ditadura civil/militar ou no modelo de família patriarcal que predominou até pouco tempo não tivemos bons exemplos de autoridade democrática. Nas três esferas de poder do Estado, certas autoridades, que não são bons exemplos de probidade e respeito aos interesses da maioria, vêm estampando os noticiários. Entretanto, em função disso, não podemos abolir toda e qualquer autoridade. Em nossos tempos, precisamos de homens e mulheres que exerçam autoridade reconhecendo e se desculpando quando erram, aceitando críticas e estando abertos às mudanças quando necessário, mas que não sejam negligentes perante os desafios que a função lhes exige.
Essa crise está presente em toda a sociedade. Encontramos cotidianamente pessoas que não sabem respeitar ou exercer a autoridade. Em muitas famílias os pais parecem incapazes de estabelecer limites necessários para que seus filhos aprendam a viver de forma equilibrada e respeitando o semelhante. Por isso convivemos com tantos jovens incapazes de aceitar a rejeição das suas vontades e despreparados para enfrentar as frustrações que a vida nos reserva. No caso específico da escola, os educadores que tentam exercer autoridade precisam de muita disposição e coragem para combater esse tipo de comportamento. Isso sem contar com as pressões dos defensores de um sistema que, mesmo falido, tem seus arautos de plantão. Numa sociedade sem regras claras e com carência de autoridades, a punição justa quase não existe. Punir não é castigar por castigar. A convivência em grupos, seja na família, nas escolas ou nas empresas, traz muitos benefícios e exige renúncias de cada um. Ninguém pode fazer o que lhe convém, quando e onde quiser, sem pensar nos demais. Punir os que desrespeitam normas de convivência coletiva é um ato de justiça e que leva o infrator a refletir sobre o sentido de suas ações. É mostrar que ninguém pode estar acima dos interesses dos demais, e serve de exemplo para desencorajar os que pretendem fazer o mesmo. Os problemas pessoais que atingem a cada um não devem servir de justificativa para atitudes de desrespeito e violência com os demais. Evidentemente, aquele que erra, sobretudo o estudante, merece o perdão, um tratamento psicológico e a assistência pedagógica quando for o caso. Entretanto, isso não o isenta da punição.
> Estado de Minas, 29/03/2012 - Belo Horizonte MG

terça-feira, 3 de abril de 2012



Histórico

     A Páscoa é um evento religioso cristão, considerado como a maior e mais importante festa da cristandade. Nela, os cristãos das diversas correntes religiosas celebram a ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a sua volta à vida após ter morrido crucificado, três dias antes. O fato está descrito nos evangelhos e em diversas escrituras bíblicas e ocorreu ao redor dos anos 30 a 33 d. C.
     O termo Páscoa tem origem no hebraico Pessach, significando passagem. O motivo da festa, no entanto, é diferente. Os judeus comemoram o Pessach em lembrança à libertação do povo hebreu, que era escravizado no Egito, à época de Moisés. Os cristãos mantiveram o nome, pois a vitória de Cristo também é uma passagem, da morte para a vida. As duas festas também estão ligadas pela posição no calendário.
     O calendário judeu é baseado no ciclo lunar, por isso a Páscoa cristã é móvel no calendário cristão, assim como todas as datas relacionadas à Páscoa. A data é calculada como sendo o primeiro domingo após a lua cheia seguinte à entrada do equinócio de outono, no hemisfério sul (ou de primavera, no hemisfério norte). Por essa variação do calendário, a Páscoa pode ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

     
As datas móveis relativas à Páscoa são:

- Terça-feira de Carnaval: 47 dias antes da Páscoa;
- Quaresma: inicia na Quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Ramos (uma semana antes da Páscoa);
- Sexta-feira Santa: a sexta-feira imediatamente anterior à Páscoa dia da morte de Jesus;
- Sábado da Solene Vigília Pascal: o sábado de véspera;
- Pentecostes: o oitavo domingo após a Páscoa;
- Corpus Christi ou Corpo de Deus: a quinta-feira imediatamente após o Pentecostes.
Páscoa: as muitas travessias


     A Páscoa é festa central para judeus e cristãos. Ela celebra - celebrar é atualizar - para os judeus a passagem da escravidão no Egito para a terra da promissão, a passagem pelo Mar Vermelho e a passagem de massa anônima para um povo organizado. A figura de referência é Moisés, libertador e legislador, que nasceu cerca de 1.250 anos antes da nossa era. Conduziu a massa para a liberdade e a fez povo de Deus.

     Para os cristãos, a Páscoa é também passagem. Tem como figura central Jesus de Nazaré. Ela celebra a passagem de sua morte para a vida, de sua paixão para a ressurreição, do velho Adão para novo Adão, deste cansado mundo para o novo mundo em Deus.

     Como em todas as passagens há ritos, os famosos ritos de passagem tão minuciosamente estudados pelos antropólogos. Em toda passagem há um antes e um depois. Há uma ruptura. Os que fazem a passagem se transformam. O rito de passagem do nascimento, por exemplo, celebra a ruptura da pertença ao mundo natural para a pertença ao mundo cultural, representado pela imposição do nome. O batismo celebra a passagem do mundo cultural para o mundo sobrenatural, quer dizer, de filho e filha dos pais para filho e filha de Deus. O casamento é outro importante rito de passagem: de solteiro ou solteria com as disponibilidades que cabem a esta fase da vida para casado com as responsabilidades que este estado comporta. A morte é outro grande rito de passagem: passa-se do tempo para a eternidade, da estreiteza espácio-temporal para a total abertura do infinito, deste mundo para Deus.

     Se bem repararmos, toda a vida humana possui estrutura pascal. Toda ela é feita de crises que significam passagens e processos de acrisolamento a amadurecimento. Tomando o tempo como referência, verifica-se uma passagem da meninice à juventude, da juventude à idade adulta, da idade adulta à velhice (hoje prefere-se terceria idade) e da velhice para a morte e da morte para a ressurreição e da ressurreição para o inefável mergulho no reino da Trindade, segundo a crença dos cristãos.

     São verdadeiras travessias com riscos e perigos que este fenômeno existencial implica. Há travessias que são para o abismo, há outras que são para a culminância. Mas a Páscoa traz uma novidade, tão bem intuida pelo filósofo Hegel, numa sexta-feira santa no Konvikt de Tübigen (seminário protestante) onde estudava. A Páscoa nos revela a dialética objetiva do real: a tese, a antítese e a síntese. Viver é a tese. A morte é antítese. A ressurreição é a síntese. A síntese é um processo de recolhimento e resgate de todas as negatividades dentro de uma outra positividade superior. Assim que o negativo nunca é absolutamente negativo, nem o positivo é somente positivo. Ambos se contém um ao outro, encerram contradições e formam o jogo dinâmico da vida e da história. Mas tudo termina numa síntese superior.

     Talvez esta seja a grande contribuição que a páscoa judaico-cristã oferece aos que se afligem e se interrogam sobre o sentido da vida e da história. O cativeiro não tem a última palavra mas a libertação; a morte não detém o sentido das coisas mas a vida e a ressurreição. Assim a história estará sempre aberta. Com razão nos dizia o poeta e profeta Dom Pedro Casaldáliga: depois da síntese final da Páscoa de Cristo não nos é mais permitido viver tristes. Agora a verdadeira alternativa é: ou a vida ou a ressurreição.

Leonardo Boff,
teólogo, filósofo, espiritualista, e ecologista. Ajudou a formulara a Teologia da Libertação e escreveu mais de sessenta livros.
Fonte: Cosmo On Line
Site:
http://www.cosmo.com.br/colunistas/leonardo_boff/integra.asp?id=189971