quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Deborah - uma adolescente vitoriosa

"É uma rotina puxada, mas eu gosto disso. Acredito que estou representando bem o meu país", diz Deborah

"Me ajuda a estudar matemática?" Deborah já perdeu as contas de quantas vezes ouviu essa frase, mas garante que foram muitas. O motivo? As amigas da garota sabem que, tê-la como professora, aumenta as chances de ótimas notas nas provas. "Dou as aulas, mas peço socorro para elas em biologia e história", revela a menina, que sempre foi melhor nas matérias exatas. "Os números são a minha vida!" E é por isso que, durante o Ensino Fundamental, em 2005, Deborah resolveu aceitar o convite de seu colégio e participar da Olimpíada Brasileira de Matemática. "Ganhei uma medalha de bronze logo de cara", lembra. E isso era só o começo! Em 2007, 2008 e 2009, nesta mesma competição, conquistou medalhas de prata e diversos outros prêmios, como livros, diplomas e aulas com os melhores professores do país. 

"Foi assim que, do nada, as viagens para competições no exterior rolaram", conta. Deborah teve a oportunidade de representar o Brasil internacionalmente na Argentina, quando foi bronze, em 2006, e prata, em 2009, na Olimpíada de Matemática do Cone Sul, no mesmo país. Já a conquista mais recente foi este ano, na Romênia. "Achei que fosse desmaiar de tanta alegria e nervoso. Fiquei muito feliz, pois tive a sensação de ter representado bem o meu país lá fora", revela. Para Deborah, as viagens já são um prêmio. "Na última, fiz até um diário de bordo. Lá escrevia tudo o que acontecia na viagem. Tipo quando minha mala foi extraviada e precisei comprar todas as roupas e maquiagens que usei." 

Levar o nome do Brasil mundo afora não é para qualquer um e, além de estar preparada, Deborah tem que ter muita calma para encarar a pressão durante as competições, que não são nada fáceis. Geralmente, cada país participante é representado por uma equipe de quatro a seis estudantes e dois professores líderes. "Durante as provas, realizadas em dois dias consecutivos, temos quatro horas e meia, em cada dia, para resolver três problemas de matemática, propostos pelos países participantes e selecionados por um júri internacional", diz Deborah. As questões abrangem disciplinas como Álgebra, Teoria dos Números, Geometria e Combinatória. "Não é fácil e eu ainda sou a única menina da turma. Tive que aprender a ter muitos amigos meninos e a fazer piada com eles", entrega ela. 

E é claro que, apesar do talento, é preciso muito esforço e estudo para conseguir tantas vitórias. Mesmo depois de voltar do colégio, Deborah ainda se joga nos livros e cadernos. São quase dez horas por dia estudando, principalmente em época de provas. "Tenho testes quase todos os dias. É uma rotina puxada, mas eu gosto disso", conta. Se ela se considera nerd? "Costumo brincar dizendo que sou uma pseudonerd! Eu estudo, mas também saio com meus amigos, malho e adoro jogar futsal e handebol. Gosto dessas coisas tanto quanto amo matemática."

Dica para professores de Literatura

Livros para alunos do 2º Ano do Ensino Médio
por: Equipe do Educar para Crescer
Os livros para jovens do 2º ano do Ensino Médio foram indicados por Maria Cristina Figueiredo, coordenadora pedagógica do Ensino Médio do Colégio Sion, em São Paulo.
“Os livros que trabalhamos na escola com alunos da 2ª série são escolhidos a partir de dois critérios: as escolas literárias que eles estão estudando (no caso o Romantismo e o Realismo) e as obras que são solicitadas pelos grandes vestibulares, que certamente terão de ler. Essas leituras fazem parte do programa, ou seja, são tratadas como conteúdo. Mas é claro que é muito importante que os alunos tenham contato também com outras obras, que tratam de questões como a sexualidade e o preconceito, e que trazem conhecimento geral e cultura. Estas são leituras mais aleatórias, mas também muito importantes para a formação do adolescente.”
1 – Noite na Taverna
Autor: Álvares de AzevedoEditora: Komedi
É uma obra de representação do romance gótico, que possibilita aos leitores entrarem em contato com um estilo próximo ao do romance byroniano. A questão do macabro na literatura é interessante porque desperta a atenção da garotada, mas agrada à todas as idades.
2 – Cinco Minutos e Viuvinha
Autor: José de AlencarEditora: Ática
São histórias curtas e gostosas para pegar gosto pelo estilo do autor. Foram os dois primeiros romances de José de Alencar. As histórias do autor são cheias de finais felizes, que as moças da época adoravam.
3 – Memórias de um Sargento de Milícias
Autor: Manuel Antônio de AlmeidaEditora: Moderna
É uma obra diferenciada do romantismo, pois trabalha com uma classe social mais baixa. Fala de um Brasil diferente, com outros costumes, vestimentas e contexto histórico. Fundamental a todos os brasileiros.
4 – Dom Casmurro
Autor: Machado de AssisEditora: Saraiva
Uma obra para conhecer o texto de Machado de Assis e perceber a sua genialidade. Explora a questão do adultério, que incomoda, mas ao mesmo tempo faz pensar e discutir. Por apresentar apenas a versão do narrador, em primeira pessoa, ajuda a desenvolver o senso crítico. O romance contém todas as peculiaridades do texto de Machado: a ironia, a elegância, a forma como ele desmascara a burguesia, etc.
5 – O Cortiço
Autor: Aluísio AzevedoEditora: Navegar
É uma importante obra do naturalismo, que ajuda a entender a imigração ocorrida no Brasil no século 19 e discutir o determinismo. O Cortiço retrata as atitudes submissas do brasileiro perante o imigrante europeu.
6 – Estação Carandiru
Autor: Drauzio VarellaEditora: Companhia das Letras
Livro interessante para conhecer o sistema carcerário brasileiro e as condições de vida às quais são expostos os detentos. Outro ponto forte do livro é a reprodução da linguagem da malandragem. No livro, os criminosos são retratados de uma maneira mais humana.
7 – O Físico
Autor: Noah GordonEditora: Rocco
Incrível história de um rapaz que foi estudar medicina na Palestina e se converteu ao judaísmo para ser aceito. A obra aborda a cultura judaica e faz um belo retrato da Idade Média, época em que se passa a trama.
8 – Brás, Bexiga e Barra Funda
Autor: Antonio de Alcântara MachadoEditora: Moderna
Uma leitura essencial para conhecer a literatura do primeiro momento modernista e saber mais sobre a vinda dos italianos para o Brasil, mais especificamente para os bairros paulistanos do título. O livro dá mostras de uma cidade em progresso, com bonde e automóvel, e também mais moderna, com força de trabalho feminina.
9 – Macunaíma
Autor: Mário de AndradeEditora: Agir
Mário de Andrade foi um gênio brasileiro, o que é evidenciado nesta obra. Embora não seja de uma leitura fácil, é envolvente e divertido, sobretudo pela boa representação do típico malandro brasileiro.
10 – Édipo Rei
Autor: SófoclesEditora: L&PM
Para conhecer uma instigante tragédia grega e também um texto envolvente de investigação policial, em que o investigador é também o assassino. A história de Édipo é um marco do teatro da antiguidade e foi essencial para as teorias da psicanálise, desenvolvidas por Freud.
11 – Comédias Para Se Ler Na Escola
Autor: Luís Fernando VeríssimoEditora: Objetiva
Para entrar em contato com textos de um dos melhores cronistas brasileiros. São textos gostosos de ler, todos com muita qualidade. Além disso, os temas têm a ver com o dia a dia do estudante e também servem pra matar as saudades de quem já deixou a escola.
12 – Hamlet
Autor: William ShakespeareEditora: Martin Claret
Cerca de 200 anos antes do surgimento da psicanálise, Shakespeare mergulhava na consciência humana para escrever sua mais famosa peça de teatro. Os dilemas do príncipe Hamlet são os primeiros sintomas da modernidade. A obra influenciou profundamente os românticos, como o alemão Goethe, e até mesmo o filósofo Nietzsche.
Para ver a lista completa, acesse o hotsite Biblioteca Básica!
2 de março de 2011

Os melhores livros para jovens de 15 anos

por: Equipe do Educar para Crescer
Os livros para jovens do 1º ano do Ensino Médio foram indicados por Neusa Sallai, professora de português do Colégio Rio Branco, de São Paulo.
“Nessa faixa etária, o aluno já consegue desenvolver melhor o pensamento abstrato e fazer reflexões que o ajudam a entender melhor o mundo que o cerca, assim como o ser humano, com suas qualidades, defeitos e fraquezas. Por outro lado, ele ainda não consegue escolher as leituras que promovem tais reflexões. Por isso, a orientação de um leitor mais experiente é tão importante nessa fase da vida. Na escola, mesclamos leituras específicas da série com as indicadas para o vestibular, para não sobrecarregar os alunos nos dois anos seguintes. Mas também é essencial que o jovem faça suas leituras em casa, sem cobranças com avaliação. Muitas vezes a leitura despretensiosa é até mais significativa para a formação dele.”
1 – Auto da Barca do Inferno
Autor: Gil VicenteEditora: Saraiva
Essa peça teatral, pertencente ao Humanismo português, é uma obra-prima. Os versos, escritos em linguagem coloquial, fazem uma sátira de costumes. Gil Vicente definia sua obra como um “auto de moralidade”.
2 – Os Lusíadas
Autor: Luís de CamõesEditora: Ática
Essa obra marcou a consolidação da Língua Portuguesa. A Editora Ática fez uma interessante adaptação, que mescla episódios importantes da obra com as respectivas explicações. Para exaltar a grandeza da nação Portuguesa, Camões escolheu o gênero épico, o mesmo utilizado por Homero na Ilíada.
3 – Boca do Inferno
Autor: Ana MirandaEditora: Companhia das Letras
Este livro retrata, de forma leve, o contexto histórico-social-literário do Brasil Colônia. Além disso, apresenta dois ícones da literatura barroca brasileira: Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira.
4 – A Mais Bela Noiva de Vila Rica
Autor: Josué MontelloEditora: Nova Fronteira
Além de o enredo estar ligado ao Arcadismo, movimento estudado no Ensino Médio, a obra traz detalhes da Inconfidência Mineira, com suas intrigantes conspirações. Interessante não apenas para alunos do ensino médio, para todos que se interessam por história.
5 – Iracema
Autor: José de AlencarEditora: FTD
É importante porque valoriza nossa terra, nossa gente, nossa língua, com a presença do indianismo na literatura brasileira. Obra fundamental na formação da nacionalidade brasileira. Além disso, reúne diversos recursos linguísticos.
6 – O Cavaleiro Inexistente
Autor: Italo CalvinoEditora: Companhia das Letras
O livro faz parte da trilogia Nossos Antepassados e é uma sátira às histórias de cavaleiros medievais. É uma obra que sugere inúmeras reflexões para quem está desenvolvendo o gosto pela leitura.
7 – Balzac e a ostureirinha Chinesa
Autor: Dai SijieEditora: Objetiva
A história se passa em meio à Revolução Cultural promovida por Mao Tse Tung, em 1960, na China. Na época, o líder chinês retirou das bibliotecas do país todas as obras ocidentais. Nesse ambiente opressor, os personagens do livro descobrem como a literatura pode influenciar o cotidiano e as escolhas que fazemos durante a vida.
8 – A Madona de Cedro
Autor: Antonio CalladoEditora: Nova Fronteira
Com uma trama envolvente e enigmática, o livro trata do medo e da culpa, sentimentos que muitas vezes perseguem o ser humano ao cometer um ato impensado.
9 – Terra Papagalli
Autor: José Roberto ToreroEditora: Objetiva
A inserção da História brasileira na ficção conduz o leitor a uma série de reflexões sobre “verdades” antes incontestáveis. É uma leitura agradável, com diversas passagens cômicas, que proporciona outra visão sobre o nosso processo de colonização/exploração lusitana.
10 – Padre Sérgio
Autor: Liev TolstoiEditora: Cosac Naify
Essa leitura leva o jovem a fazer importantes reflexões morais e religiosas.Entendendo o dilema da personagem principal, ele entende melhor o ser humano.
11 – O caçador de pipas
Autor: Khaled HosseiniEditora: Nova Fronteira
Essa obra divide com o jovem leitor brasileiro uma cultura muito diferente da sua, além de fazer um retrato histórico do Afeganistão nas últimas décadas. Além disso, é, sem dúvida, uma história inesquecível de amizade, culpa e expiação.
12 – Dois Irmãos
Autor: Milton HatoumEditora: Companhia das Letras
O fio condutor da narrativa é a rivalidade entre dois irmãos de personalidades conflitantes na busca da afirmação da individualidade. É uma obra que investiga as profundezas da alma e das paixões humanas.
Para ver a lista completa, acesse o hotsite Biblioteca Básica!
28 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Professora cria remédio contra bullying em escola da periferia de São Paulo

Professora cria remédio contra bullying em escola da periferia de São Paulo
Fernanda Cruz - Agência Brasil - 15/10/2012 - Brasília, DF
Quando adolescente, a professora Deyse da Silva Sobrino media 1,72 metro e pesava 45 quilos. A garota alta e magra sofria quando era chamada pelos colegas de “pau de catar balão” e “vareta de bilhar”. Na época, o termo bullying ainda não existia, mas a prática de criar apelidos maldosos e agredir de forma física ou verbal já fazia parte do cotidiano das escolas.
Atualmente, Deyse tem 60 anos e três formações: biologia, pedagogia e direito. Ela dá aulas há 42 anos e tenta passar aos seus alunos ensinamentos que vão além da informática que ministra na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Bonifácio, localizada na zona leste, periferia da capital paulista. “Isso [o bullying] nunca me afetou. Eu estava bem comigo mesma. É isso que tento passar ao aluno, que se sinta bem com ele mesmo”.
Andresson Silva, 13 anos, estudante do 8º ano, seguiu o conselho da professora Deyse. O menino tem um grau de deficiência visual e, por usar óculos, recebia apelidos maldosos dos outros meninos. “Era muito ruim. Todo dia chegavam com uma brincadeira de maldade. Eles me pegavam, jogavam no chão, empurravam, me batiam, xingavam. Pegavam meus óculos e jogavam no chão. Eu não suportava a pressão”. Ele conta que tem poucos amigos e sofreu bullying desde os 5 anos de idade. Por medo, Andresson evitava o assunto com os pais, mas encontrou apoio na professora que já viveu o mesmo problema.
“O aluno vêm me contar seus segredos e não conto a ninguém. Se ele confiou em mim, por que vou contar para os outros? Esse relacionamento de professor e aluno é a base. Se não tiver isso, não há diálogo, não existe amizade”, disse a professora.
Mas a grande mudança para Andresson e os outros alunos, que têm entre 5 e 17 anos, veio em 2010, quando Deyse decidiu tomar uma atitude contra o bullying em toda a escola. Ela distribuiu um questionário anônimo para uma parte dos estudantes (309 alunos) contendo perguntas como: você já sofreu bullying? Já praticou? Já viu alguém praticando?
O resultado surpreendeu a professora, que leciona na José Bonifácio há 15 anos: 70% dos alunos já presenciaram a prática, 44,5% já foram vítimas, 38,5% admitiram ter praticado bullying alguma vez na vida e 9,7% praticam constantemente. Os ambientes escolares onde o bullying esteve mais presente foram o pátio e a sala de aula.
Para reverter essa situação, a professora criou um medicamento fictício com a ajuda dos alunos, chamado Sitocol. Sob o slogan “Tomou o Sitocol hoje?”, o remédio tem uma bula, escrita de forma coletiva entre os alunos. “Ele age no organismo produzindo consciência, modificando a maneira de agir das pessoas, o sentimento. Se usado em excesso, o Sitocol vai fazer rir muito e ter muita felicidade”, destacou a professora.
Com a campanha, a redução da prática do bullying na escola foi considerável. Em média, 700 alunos têm recebido, por ano, as orientações da professora Deyse, distribuídas por 21 turmas. Ela planeja reaplicar o questionário entre os alunos no próximo ano, mas relata que a melhora na atitude deles pode ser vista pelos corredores da instituição. “Antes, quando a gente subia a escadaria eu via os alunos grandes pegando os pequenos pelos braços e arrastando pelo corredor, com ar de poderosos. O outro esperneava de vergonha. E eu mandava soltar. Mas isso era frequente”.
A professora presenciava também outras situações humilhantes vividas por vítimas de bullying. Certa vez, um aluno jogou o conteúdo da mochila de um colega no pátio da escola. Os alunos que passavam naquele momento ajudavam a chutar os pertences, que se espalharam pelo chão. Deyse ajudou a vítima a recolher todo o material. “Eu não me conformava com essas coisas. Resolvi fazer esse trabalho tendo em vista essas ocorrências, que me deixavam desesperada”.
A aluna Pamela da Silva Bonfim, 11 anos, do 6º ano, que antes ouvia xingamentos e até apanhava, conta que agora vive de outra forma. “Antes, eu ia para a minha cama, começava a chorar. Agora esses apelidos não influenciam em nada. Eles me chamavam de baixinha e tenho esse apelido até hoje, mas não me importo”.
Ao ser apelidada de sem dente, a estudante Ana Paula Prazeres de Ornelas, 11 anos, do 6º ano, mostrou confiança ao enfrentar situação parecida. “Desde o ano passado, começaram a me chamar de sem dente. Eu falo para as pessoas que me xingam que isso não me incomoda, que não vou ficar sofrendo por causa delas. Eles dizem que fazem isso por diversão, mas não acho que seja divertido fazer as outras pessoas sofrerem”.

Salários baixos provocam fuga de professores da carreira

Priscilla Borges - iG Último Segundo - 15/10/2012 - São Paulo, SP
Rita de Cássia Hipólito desistiu da carreira de projetista para fazer um mestrado e, por acaso, se tornar uma professora. Ensinar era a atividade mais compatível com a jornada de estudos. Apaixonou-se pela profissão e há sete anos trabalha na rede municipal de São Paulo dando aulas de história. A carreira, já tão desvalorizada, está prestes a perder mais uma profissional.
A paulistana de 37 anos, assim como tantos outros colegas, não vê valorização em seu esforço de se capacitar e dar boas aulas. Os alunos – e o carinho que demonstram por ela – são a única razão que a mantém na ativa até agora. Mas o salário, de aproximadamente R$ 2,8 mil por 40 horas de trabalho semanais, a obriga a reavaliar a profissão neste momento. “Eu não tenho reconhecimento de ninguém. Continuo pelo meu aluno, não por mim”, admite.
Meses atrás, Rita adoeceu. O terapeuta recomendava abandonar a profissão. “Eu chorava, porque não conseguia me imaginar longe da escola. Mas, aí, me vejo sendo tão maltratada como profissional, penso em largar”, admite. A professora, que fez bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais e mestrado em sociologia na Universidade de São Paulo, diz que sempre teve dois empregos para conseguir se manter. “Mas quando vi meu primeiro holerite me assustei. Eu ganhava mais dando aula particular”, conta.
A história de Rita, infelizmente, não é isolada. No Dia do Professor, comemorado nesta segunda-feira, muitos profissionais em todo o País lamentam – em vez de celebrar – a escolha de carreira que fizeram . O iG ouviu alguns professores de formação que, mesmo apaixonados pelo trabalho que desenvolviam, desistiram de tentar sobreviver com o salário da função, baixo diante de outras profissões, e mudaram de atividade.
Salários desproporcionais
Manoel, Rosângela e Joelma sentem saudades da sala de aula e dizem que, se as condições de trabalho fossem melhores e a remuneração mais alta, teriam continuado na profissão. É fácil compreender as razões deles. Para ser um professor, por lei, é preciso ser formado em Pedagogia ou em alguma licenciatura, cujo curso dura pelo menos três anos. Há muitos outros cargos que, com a mesma titulação, oferecem salários mais atraentes.
Manoel é servidor público no Senado Federal. Lá, um analista (cargo que exige apenas a graduação) inicia a carreira ganhando R$ 18 mil. Mais de 10 vezes o piso salarial do professor , que hoje é de R$ 1,4 mil e não é pago por muitos redes estaduais e municipais. No Judiciário, onde trabalham Rosângela e Joelma, um técnico (nível médio) e um analista (graduado) ganham, em média, 3,5 mil e R$ 6 mil, respectivamente, no início da carreira.
As diferenças salariais estão também em carreiras mais próximas à realidade do professor. O salário básico de um biólogo ou de um químico, por exemplo, é de seis salários mínimos, um total de R$ 3,7 mil. Há muitos professores dessas áreas que cursaram não só a licenciatura, que habilita a dar aulas, mas também o bacharelado e poderiam atuar como biólogos e químicos.
Para tentar mudar esse cenário, o Plano Nacional de Educação (PNE), que define as metas educacionais para o País nesta década, previu a valorização dos profissionais da área, equiparando os salários . A redação da meta 17, que trata desse tema, diz que o “rendimento médio” dos docentes será equiparado aos “dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano da vigência deste PNE (2016)”. Mas o projeto não define quais profissões seriam comparadas à do professor. E ainda não foi implementado.
Em busca de ascensão social
Ensinar foi a primeira atividade que chamou a atenção, e despertou o interesse, de Manoel Morais, 36 anos. O cearense, aos 10 anos, dava aulas de reforço para os colegas em dificuldade. Estudioso, achava fácil explicar o que sabia aos colegas. Estudante de química industrial na escola técnica de Fortaleza, Manoel não pensava em se tornar um professor até ser convidado, aos 17 anos, a dar aulas em cursinhos pré-vestibulares.
A vocação lhe parecia natural, mas Manoel queria fugir da profissão tão criticada pelos seus professores da rede pública, onde estudou a vida toda. Apesar das aulas no cursinho, fez vestibular para Engenharia Química. No meio do caminho, decidiu fazer licenciatura em Química e se tornar mesmo professor. “Comecei a estudar neurociências para entender como o cérebro aprende e poder ajudar meus alunos melhor”, conta.
Em 2004, no entanto, as ilusões de Manoel com a carreira acabaram. Ele começou a fazer concursos públicos para mudar de área de atuação. Em 2005, chegou a Brasília, após ter sido aprovado no concurso do Ministério Público da União. “Mudei em busca de ascensão social mesmo. O cargo de juiz exige apenas o bacharelado em Direito. Para dar aula em uma faculdade é preciso, no mínimo, um mestrado. E quem ganha mais? Não quis seguir na carreira que eu amo por conta da condição financeira mesmo”, admite.
Hoje, Manoel está prestes a concluir o curso de Direito e pensa em novos concursos. “Por causa da questão financeira, há uma fuga de cérebros do magistério. Teria ficado na escola se tivesse a oportunidade de ganhar a mesma coisa”, desabafa. Para diminuir as saudades da sala de aula, hoje Manoel ensina outras pessoas a estudar. Dá treinamentos aos sábados sobre técnicas de estudo e oratória.
Longe do sacerdócio
Como muitas mulheres de sua idade, Joelma de Sousa, 46 anos, fez o curso normal durante o antigo 2º grau. Antes mesmo de terminar o preparatório para o magistério, Joelma passou em um concurso da Fundação Educacional de Brasília. “Era o caminho mais rápido para o trabalho. Passei cinco anos dando aulas de alfabetização para crianças e adultos. Adorava meu trabalho. Eu via o começo e o fim dele. Um dos mais gratificantes”, analisa.
Como precisava ajudar a família a se manter, Joelma desistiu do curso de pedagogia. Estudou para um concurso e se tornou técnica judiciária. “A questão salarial foi a única razão para ter mudado de profissão. Fiquei muito triste quando sai”, relembra. Ela diz que, na época, o salário de técnica já era três ou quatro vezes maior que o de professora. Já trabalhando no tribunal, Joelma fez Letras-Tradução em Francês, depois cursou Direito.
“Se minha filha quiser ser professora, vou achar sensacional. A minha família não tinha condições de me apoiar nessa decisão à época, mas espero que eu possa. Ser professor não é um sacerdócio, todos precisam de dinheiro para viver. Se quisermos bons profissionais, teremos de pagar bem”, pondera.
Sonho interrompido
Rosângela Pinto Ramos, 51 anos, escolheu ser uma professora ainda criança. Filha de professora, ela admirava a mãe. Percebeu que tinha escolhido a carreira certa logo que terminou o curso de magistério. Começou a dar aulas e se apaixonou pelo ambiente escolar, o trabalho com os alunos. Fez o curso de pedagogia e sonhava em abrir seu próprio colégio.
Mas as diferenças salariais – e a oportunidade de atuar na própria área ganhando mais – a fizeram desistir. Rosângela começou a trabalhar no Judiciário quando os pedagogos ainda eram requisitados para atuar nas Varas de Infância e para trabalhar com jovens infratores.
“Mesmo assim eu continuei dando aulas, por prazer mesmo. Até que a correria me fez desistir das aulas”, conta. A servidora, que já não atua mais com sua área no tribunal em que trabalha, conta que sente saudades da sala de aula até hoje.

Com criatividade e tecnologia, professor desperta interesse de alunos pela física e matemática

Com criatividade e tecnologia, professor desperta interesse de alunos pela física e matemática
Akemi Nitahara - Agência Brasil - 15/10/2012 - Brasília, DF
Jogos eletrônicos, filmes em 3D e realidade aumentada, tecnologias que ainda são desconhecidas por parte dos jovens brasileiros. Ao perceber que seus alunos, de Petrópolis, não entendiam o que é um filme em 3D por nunca terem assistido a uma produção com essa tecnologia, o professor de matemática Guilherme Erwin Hartung decidiu mostrar a eles O Fantástico Mundo 3D.
O projeto deu tão certo que Hartung recebeu, no ano passado, o Prêmio Professores do Brasil, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). Durante as atividades oferecidas fora do horário das aulas, sem valer nota, 15 estudantes montaram um site com imagens em 3D produzidas por eles mesmos.
Antes tiveram oficinas de biologia, para saber como funciona o olho humano, de física, sobre polarização da luz, e, claro, de matemática, para entender e calcular a geometria envolvida na produção das imagens com a sensação de profundidade. Também foram feitas visitas a institutos de pesquisa e a um laboratório de computação, além de participarem de uma videoconferência com especialista em 3D de Hollywood. Tudo graças ao empenho do professor, que também é orientador tecnológico no Colégio Estadual Embaixador José Bonifácio, de ensino médio.
“Os alunos gostaram, alguns disseram que a questão da física mudou, tem muito aluno que diz que odeia física, mas, quando vê a física aplicada, uma coisa interessante, palpável, passa a ver a física com outros olhos. A professora de biologia também comentou que os alunos realmente aprenderam o sistema de visão. Em matemática, os 15 que frequentaram o projeto todo realmente aprenderam as razões trigonométricas”, contou Hartung.
Para ele, o incentivo de um professor é suficiente para mudar o destino de um aluno. “Com certeza, [entre] os alunos que participaram do [projeto] 3D, muitos falam em fazer faculdade na área de TI [tecnologia da informação], já estão correndo atrás, escolheram faculdade, Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], vestibular. Fiquei feliz porque, não sei se o projeto contribuiu para isso, mas com certeza abriu um pouco a cabeça deles nesse sentido.”
Outro projeto desenvolvido por ele no colégio de Petrópolis envolve uma atração irresistível para praticamente todo adolescente: os jogos eletrônicos. O professor observou o quanto é diferente o comportamento do aluno enquanto joga e quando está na escola.
“Quando joga, ele `morre` na mesma fase 100 vezes e continua tentando. Quando ensino matemática e o aluno erra o exercício, fica frustrado e não que mais fazer. Outra coisa é a concentração, quando o adolescente joga está muito focado, o que não acontece na aula. Tem também o desafio, a próxima fase precisa ser mais difícil do que a anterior. Na aula, se você dá um exemplo fácil para entender a mecânica primeiro e dá exemplos mais difíceis, dizem `está complicando a nossa vida`.`
A ideia do professor, que tem formação técnica em TI, foi estimular os alunos a produzirem seus próprios jogos. “A única regra que tinha era: esse jogo tem que você vai criar tem que ensinar alguma coisa para alguém”. O professor usou softwares livres e fáceis de trabalhar, em que é possível montar a estrutura de um jogo. Nesse caso, também foram dadas oficinas sobre matemática aplicada, indústria de games, programação, desenho e linguagem visual de um jogo.
Com isso, no primeiro ano do projeto foram produzido cerca de 30 joguinhos. “Percebi a melhora de alguns alunos em matemática depois do projeto. O interessante é que muitos dos jogos foram aproveitados pelos professores em sala de aula e alguns foram demandados. Isso é bem inovador, o aluno participar da prática do professor, e também a visão inovadora de usar jogos em sala de aula”.
A motivação para Hartung vem do próprio exercício da profissão. “Com o cargo de orientador tecnológico, eu tinha 12 horas e um laboratório de informática, não podia deixar os alunos jogando e entrando no Facebook, então comecei a inventar coisas. Eu tinha que ajudar de alguma forma a melhorar esses índices horrorosos que o Brasil amarga nessas avaliações externas.”
Segundo ele, o seu maior incentivo é conseguir despertar no aluno o prazer de aprender. “Eu costumo dizer que eu jogo iscas – tecnologia 3D, jogos, realidade aumentada – para trazer o aluno, para ele pelo menos tentar se envolver com aquilo, com os conteúdos que estão ali por trás. A partir do momento em que ele começa a experimentar, começa a ter essa sensação boa de `agora eu sei um pouco mais do que eu sabia antes`, aí você vê uma transformação interessante.”
O professor acredita que a educação no Brasil tem melhorado, mas de uma forma muito lenta. “O ensino médio passou a ser obrigatório, a falta de professor que havia cinco anos atrás já não acontece tanto, as escolas estão com uma estrutura melhor. Mas a motivação dos alunos eu acho que não é grande coisa, pelo contrário, eu acho até que na minha época a gente não era tão desmotivado”.
O trabalho do professor Guilherme Erwin Hartung com os alunos do Colégio Estadual Embaixador José Bonifácio podem ser conferidos nos sites http://www.guilhermeeh.blogspot.com.br/, http://petropolis3d.webnode.com.br/ e http://www.fractalmultimidia.blogspot.com.br/, que oferece os jogos desenvolvidos para download.

sábado, 13 de outubro de 2012

15 de Outubro - Dia do Professor-Verdades da Profissão de Professor



Verdades da Profissão de Professor
Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Paulo Freire